estradas perdidas

Atrás de casa, encoberta por tufos de erva daninha, silvas e bidões abandonados, o comboio de janelas iluminadas vinha das Quintãs e silvou depois do túnel em curva, em direcção a Aveiro. Ali ao lado há uma estrada, a minha primeira estrada. Mulheres e homens cruzam-na impelindo teimosamente os pedais das bicicletas. Junto à vitrine de um pronto-a-vestir lê-se "Modas Katita". De uma taberna, saem dois homens que se dirigem para duas Famel-Zundapp. Estrada perdida.

2005-10-12

TRIP TO EAST EUROPE (continuação do post de 21 de Agosto)

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Uma das coisas que eu mais detesto nas revistas de viagem é fazer de todos os destinos um destino imperdível, com fotos escolhidas a dedo e textos feitos para agradar aos patrocinadores. Na nossa viagem, iniciada em fim de Julho numa Varsóvia cinzenta e chuvosa, houve um pouco de tudo e...confessemos...é assim que a gente gosta e é de peripécias agradáveis e menos agradáveis que uma viagem é feita.

Viajando na low cost Central Wings, chega-se ao simpático aeroporto de Varsóvia cerca das 6h00 da manhã, o que permite levantar o carro na Avis às 7h00 e zarpar. Tinhamos planeado ficar num camping referenciado no Rough Guide e bem na avenida do aeroporto. Resultado: Demos voltas e voltas na mesma zona, verdejante nas bermas mas cheia de automobilistas atarefados para chegar aos empregos. Numa dessas voltas, virámos onde não devíamos e oh my god, raspámos numa viatura novíssima de uma polaca. Olhei para a senhora com o olhar mais patético e piedoso que consegui. O olhar transpirava raiva. Mal saímos do carro, desfizemo-nos em desculpas. Que eramos turistas, que era a nossa primeira vez ali (mentirinha). A mulher olhou para os papeis da Avis, mirou desconsolada um pequeno risco no carro novinho em folha e disse: "Well, have nice holidays!"

De carro, em cidades onde se viaja pela primeira vez, dá-se muitas voltas. Como em Wroclaw, uma cidade de 600 mil habitantes perto da fronteira com a República Checa. As voltas que demos para chegar ao parque de campismo e as voltas para chegar pela primeira vez à praça principal do centro histórico. Mas a rynek (praça) de Wroclaw compensou largamente. É uma das mais belas praças onde já estive e com cervejarias a preceito. Foi também em Wroclaw que entrámos numa loja de velas e, de repente, fomos atendidos em português por uma polaca que estivera a trabalhar em Braga e...ah...no turismo de Wroclaw, havia também uma simpática polaca atrá do balcão que estudara no Porto e logo percebeu que eramos portugueses.

Não há nada como o campo, no entanto. Acampámos nas montanhas da Silesia, numa pequena cidade chamada Slarzka Poreba. De dia, toda a gente partia com mochilas pelas ínumeras trilhas de montanha. O que aqueles polacos andam a pé! De noite, era preciso chegar cedo ao mais animado spot da povoação, um bar ao ar livre cheio de famílias polacas onde o nosso cabelo preto era tão estranho quanto o de um filandês em África. Não havia mais turistas estrangeiros. A grande animação consistia em beber cerveja, comer salsichas enormes e cantar em coro canções de karaoke ( o que eu detesto karaoke em Portugal), uma das quais era um hit em várias regiões da Polónia: "Ai amore, zlabazlabazlabazlaba...". Uma das grandes atrações nas mesas corridas de madeira eram aqueles cilindros com cinco litros de cerveja e uma torneirinha.
Nos arredores de Slazrka, há pelo menos duas belas cascatas e rios para tomar banho em água gelada. Reparei que quase todos os polacos ficavam durante horas a observar as águas e era raríssimo tomar banho. Claro que eu tomei banho. A temperatura era parecida com a das cascatas do Gerês. Gelada mas com efeitos terapêuticos deliciosos.

Na foto, uma família posa, em Zakopane, nas montanhas a sul de Cracóvia, junto de uns desgraçados de uns cães que passam ali o dia para serem fotografados com turistas.

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