estradas perdidas

Atrás de casa, encoberta por tufos de erva daninha, silvas e bidões abandonados, o comboio de janelas iluminadas vinha das Quintãs e silvou depois do túnel em curva, em direcção a Aveiro. Ali ao lado há uma estrada, a minha primeira estrada. Mulheres e homens cruzam-na impelindo teimosamente os pedais das bicicletas. Junto à vitrine de um pronto-a-vestir lê-se "Modas Katita". De uma taberna, saem dois homens que se dirigem para duas Famel-Zundapp. Estrada perdida.

2006-02-27

O POVO DO NORTE

Sabem como são os grandes dias de festa no Estádio da Luz, quer ganhemos quer percamos miserávelmente como contra o Sporting: Todas aquelas camionetas que vêem de locais tão díspares e insuspeitos como Vila Meã ou Mangualde ou Viana do Castelo ou Faro. Há dias, no jogo com o Liverpool havia pessoal que tinha feito expressamente de Boston. Hoje, enquanto circulei pelo Estádio da Luz à espera de entrar para o estádio, ouvi benfiquistas vestidos a rigor a falar em sotaques do norte, das beiras ou de São Miguel. Depois, quase em cima das 19h00 chegou uma troupe vestida de azul e branco a gritar "queremos ver Lisboa a arder" e para a entrada da qual foi necessário o corpo de intervenção da PSP isolar quase um quarto da zona envolvente da Luz.
capt.xaf11202262301.portugal_soccer_xaf112[1]São o povo do norte, dizem eles. Digo-lhes que o norte somos nós, Aveiro, Espinho, Trofa, Braga, Vila Real, Viana do Castelo, Paços de Ferreira. Em todos os grandes jogos na Luz, temos muitos e muitos benfiquistas do norte. O nosso norte não é teorizado nem manipulado por figuras sinistras e, ah, é verdade, quando quiserem voltar a festejar na Avenida da República, estão à vontade. Não batemos em ninguém nem temos avenidas exclusivas a claques patrocinadas por caciques.

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