estradas perdidas

Atrás de casa, encoberta por tufos de erva daninha, silvas e bidões abandonados, o comboio de janelas iluminadas vinha das Quintãs e silvou depois do túnel em curva, em direcção a Aveiro. Ali ao lado há uma estrada, a minha primeira estrada. Mulheres e homens cruzam-na impelindo teimosamente os pedais das bicicletas. Junto à vitrine de um pronto-a-vestir lê-se "Modas Katita". De uma taberna, saem dois homens que se dirigem para duas Famel-Zundapp. Estrada perdida.

2006-01-28

"Eu cá dava tudo ao Benfica!"

Bom, 183 milhões de euros é muito dinheiro. Ultimamente, tenho ouvido e participado em todo o tipo de conversas sobre o que cada um faria se ganhasse o Euromilhões. O dono de um café da minha rua fazia como o pessoal do detergente que ofereceu um almoço gigante na Ponte Vasco da Gama. "Fechava a Avenida do Mar e dava um jantar para os meus vizinhos todos". Tenho impressão que ía acabar tudo à porrada mas tudo bem. Há quem diga que só quer uns milharzitos e dá o resto aos familiares. Um amigo meu, tão ou mais benfiquista do que eu, diz que comprava um ponta de lança para o Glorioso e alguém recordou uma senhora que, na televisão, questionada sobre o assunto, explicou de forma singela e inocente: "Eu cá dava tudo ao Benfica!" Eu cá sentava-me, respirava fundo, fincava os pés no chão e depois ía à janela espreitar lá para fora e ver se ainda estava tudo no mesmo sítio.

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