estradas perdidas

Atrás de casa, encoberta por tufos de erva daninha, silvas e bidões abandonados, o comboio de janelas iluminadas vinha das Quintãs e silvou depois do túnel em curva, em direcção a Aveiro. Ali ao lado há uma estrada, a minha primeira estrada. Mulheres e homens cruzam-na impelindo teimosamente os pedais das bicicletas. Junto à vitrine de um pronto-a-vestir lê-se "Modas Katita". De uma taberna, saem dois homens que se dirigem para duas Famel-Zundapp. Estrada perdida.

2006-02-09

Milhares cantam "Oh Dinamarca tu és tão linda..."

nazi
(Foto Estradas Perdidas)
Espontâneo manifesta a sua liberdade de expressão em frente à Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho, em Lisboa

Milhares gritam bem alto "somos livres, livres somos"

Manifestação em frente à Embaixada da Dinamarca, em Lisboa, excedeu todas as expectativas. Diplomatas dinamarqueses retirados do edifício e levados ao colo

Milhares de pessoas enfrentaram ontem o frio e o tédio para se manifestar em frente à Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho, em Lisboa, pela "liberdade de expressão" e pela solidariedade sem limites para com as dinamarquesas e dinamarqueses. As ruas envolventes foram pequenas para conter tamanha multidão que gritava palavras de ordens como "Na Dinamarca é que é bom" e "Queria ter nascido na Jutlândia".
Rui Zink, professor, escritor e comentador, um dos organizadores da manifestação, não cabia em si de felicidade: "Por aqui se vê a força do PC, perdão, não era nada disso que eu queria dizer, por aqui se vê que a liberdade de expressão é o valor ou um do valores mais acarinhados em Portugal. Ver todas estas bandeiras dinamarquesas lembra-me também a Ingrid que..."
O momento mais alto da manifestação foi, no entanto, quando em delírio e apoteose, uns muitos branco, loiros e altos funcionários da embaixada foram transportados em braços pelas ruas. "Nunca tive tantos amigos na vida", comentava Maniche Smosgabord, agarrado por Rui Zink, que não parava de o beijar e abraçar, "este aqui, por exemplo, nunca o vi mais gordo mas já trocámos telemóveis e diz que quer jantar comigo para expressar a sua solidariedade, vamos lá a isso...não pode só pedir-lhe que pare de me lambuzar todo?"
À medida que a manifestação engrossava, ía-se tornando difícil distinguir cores, credos, roupas ou mesmo perceber quem era quem. Rui Zink viu-se mesmo obrigado a dizer "eu sou o Rui Zink" a um grupo de manifestantes que o assediava com perguntas:" quem organizou esta merda? Onde é que se come? Não há couratos? Onde estão as camionetas para Baleizão?"
Foi já no final da grandiosa manifestação que os organizadores foram surpreendidos, com manifesto desagrado pela presença de um neo-nazi. "O que é que você está a fazer aqui?", perguntou Rui Zink, muito vermelho, de mãos dadas com uma dinamarquesa e a comer uma entremeada. "Estou a manifestar a minha liberdade de expressão. Passa-me aí um copo desse tintol".

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