estradas perdidas

Atrás de casa, encoberta por tufos de erva daninha, silvas e bidões abandonados, o comboio de janelas iluminadas vinha das Quintãs e silvou depois do túnel em curva, em direcção a Aveiro. Ali ao lado há uma estrada, a minha primeira estrada. Mulheres e homens cruzam-na impelindo teimosamente os pedais das bicicletas. Junto à vitrine de um pronto-a-vestir lê-se "Modas Katita". De uma taberna, saem dois homens que se dirigem para duas Famel-Zundapp. Estrada perdida.

2004-04-29

Taxi Driver Lisbon Style

“Eu não sou racista”, explica-me um taxista que acaba de me apanhar na praça em frente à Estação Sul e Sueste, na Praça do Comércio. “Mas olhe para isto, Lisboa está cheia de pretos!” Um grupo de africanos atravessa a passadeira congestionada à nossa frente e o simples facto de ter de esperar no sinal vermelho e ter de os deixar passar, parece irritar o taxista. “Eu nem me importo de os transportar, há colegas meus que ficam logo mal dispostos mas com tanto português aí sem trabalho, o que é que vêm para aqui fazer, vêm tirar o trabalho aos portugueses”. Vira-se para trás. “Ou não acha que eu tenho razão?”